Sunday, April 14, 2013

Avaliação Funcional do Movimento (FMS) x Modelo comercial do tratamento médico/fisioterápico




Agradeço de coração pelas mensagens de apoio que recebi nos últimos dias! Aproveito para esclarecer o que aconteceu... 

Fui submetido a uma Artroscopia para corrigir um problema no ombro. Na verdade isso aconteceu há 7 anos, ainda na faixa roxa... Não quis bater e estourou tudo. Todos os ligamentos. O problema é que eu não sabia que tinha estourado tudo. Daí continuei treinando mesmo limitado pela dor. Com o passar dos anos a lesão foi piorando até que perdi tanta capacidade funcional que não conseguia fazer mais nada, muito menos treinar... Logo eu que comungo do pensamento IDENTIFICAR-CORRIGIR-FORTALECER não poderia ficar me privando de fazer o que gosto. Resolvi enfrentar a realidade e acabar com essa lenga-lenga, corrigindo o problema identificado nos exames. O problema é que a UNIMED demorou quase 1 mês para autorizar minha cirurgia, retardando tudo ainda mais...



Aconselho a todos que tenham algum tipo de lesão que procurem corrigir esse problema. Essa história de ir fazendo o que não dói...O que consegue... É a maior furada! Nosso corpo acaba sobrecarregando outras estruturas para que os movimentos que desejamos sejam realizados. É simples, se aquela articulação não consegue desempenhar sozinha sua função alguém vai ter que ajudar e realizar uma função que não é a sua para que o movimento desejado aconteça. Resultado: mais uma articulação que pode ficar comprometida, possíveis lesões musculares...



Se você sente dor recorrente em determinada articulação, investigue. Observe a articulação abaixo ou acima, porque muitas vezes essa dor ou essa lesão, já estabelecida, pode ser a consequência do problema e não a causa (no meu caso especificamente, eu estava com absurdas tendinites no ombro lesionado e no cotovelo, pontos de muita tensão nos trapézios e tanta dor na cervical e restrição de movimento que pensei que estava com uma hérnia). Ou seja, o tratamento deve investigar o motivo dessa articulação estar lesionada e não só tratar a articulação lesionada. Do contrário, corre-se o risco desse problema tornar-se recorrente, pois a causa pode não ter sido tratada, apenas a consequência.



Mas não se enganem. Nem todos os profissionais de saúde pensam dessa forma, principalmente no modelo comercial da Medicina e a Fisioterapia tradicionais. Se você tem um plano de Saúde e vai ao Ortopedista o melhor que vai conseguir são dezenas de sessões de Fisioterapia (provavelmente numa clínica abarrotada de pacientes com diferentes problemas) onde vão te tratar apenas do seu problema. E olhe lá (eu digo "e olhe lá" porque já devo ter feito mais de 500 horas de fisioterapia e já fui muito mal atendido por aí...). Muitos nunca irão investigar a causa do seu problema se não estiver prescrito pelo Ortopedista. É assim que eles ganham dinheiro. Centenas de atendimentos por dia, o mais rápido possível, prescritos por diferentes Ortopedistas, tratando a dor. Eles seguem o modelo obsoleto implantado no Brasil, onde os problemas são tratados e não prevenidos.



Eu não vou nem falar das prescrições de tratamentos fisioterápicos que alguns ortopedistas fazem, a fim de não prolongar muito esse pequeno texto (e também são os Fisioterapeutas que devem se manifestar a respeito). Basta apenas dizer que na área de Educação Física, em casos de joelho, o que vejo são prescrições para fortalecimentos de músculos isolados, em movimentos guiados e com restrições de amplitude. Ou seja, além de não ser investigada a causa do problema, o tratamento envolve não estimular o restabelecimento da capacidade funcional do indivíduo. MUITO PELO CONTRÁRIO, independente da sua idade e seu nível de atividade, envolve a paranóia de ter um joelho operado que nunca mais vai ser o mesmo. E que você deve tomar cuidado, esconder, proteger pro resto da vida, subutilizar. Agachamento nunca mais, esqueça. VOCÊ É LOUCO? SE VOCÊ AGACHAR ASSIM VAI TER QUE OPERAR OUTRA VEZ ESSE JOELHO!!!" Daqui a pouco vai ser quase: SE VOCÊ AGACHAR VOCÊ VAI MORRER!!!!!" É Leg parcial, extensora parcial...Agachamento não pode, mas Leg 45 pode? Você nunca mais vai agachar profundamente? Nem para pegar compras? Nem para trocar o pneu do carro, nem para brincar com seu cachorro? Com seu filho? Sim você vai. E é melhor que faça isso corretamente. Aprenda, treine e realize esse movimento corretamente no seu dia-a-dia sempre que necessário. 



O que estou tentando dizer é que se você rompeu os ligamentos do joelho, provavelmente vão te recomendar uma cirurgia corretiva e dezenas de horas de Fisioterapia. Correto. Mas se você não analisar sua mobilidade de quadril e de tornozelo e o que acontece com eles enquanto você realiza diferentes padrões de movimento, pode ser questão de tempo para que você lesione novamente esse joelho. Mas isso é bom, não é? Alguém vai lucrar com isso!


Uma excelente ferramenta para analisar o que acontece com você enquanto você se movimenta é a Avaliação Funcional do Movimento (FMS). Fui apresentado ao método pela Arte da Força (Silas Rodrigues e Thiago Ferragut Passos) ano passado. Diferente das avaliações físicas tradicionais realizadas em academias, essa avaliação é qualitativa e não quantitativa. Avalia-se aqui a qualidade do "movimento". O protocolo envolve submeter o avaliado a 7 (sete) padrões básicos de movimento (Agachamento Completo, Passo sobre a Barreira, Afundo Linear, Mobilidade de Ombro, Elevação da Perna Estendida, Flexão de braço com estabilidade e Estabilidade Rotacional) e atribuir notas (scores) de acordo com a qualidade do movimento realizado. O objetivo é identificar disfunções, assimetrias ou limitações que interfiram na correta realização dos movimentos e/ou que possam contribuir para o desenvolvimento de futuras lesões, possivelmente potencializadas pelo treinamento de força. O próximo passo é corrigir os problemas encontrados através de exercícios específicos, equilibrando o indivíduo e tornando-o apto a treinar com mais qualidade, intensidade e segurança. Ou seja, melhores resultados. 



Logo de saída descobri em mim diferentes problemas e um dos principais foi minha reduzida Mobilidade de Ombro. Score 0 (zero = dor = lesão = médico = pare de empurrar e puxar na vertical e horizontal = pare com supino, flexão, press, barra fixa, puxadas, remadas e mais diversas restrições para exercícios com Kettlebell). Mas casa de ferreiro, espeto de pau... Fiz tudo ao contrário: Ignorei minha Avaliação e continuei treinando Jiu-Jitsu, treinando força e remando de SUP. O resultado foi um teste medíocre numa prova física com Kettlebell (lógico! eu não tinha ombro!) além do agravamento das dores no ombro que resultaram numa redução drástica da minha capacidade funcional. Se ano passado eu tivesse investigado e corrigido meu ombro (conforme sugerido pela minha Avaliação) talvez o estrago fosse menor e eu tivesse sentido muito menos dor e já estivesse até treinando novamente, apto a passar no teste físico).



Fica o ensinamento. Hoje tenho a oportunidade única de testemunhar aqui a eficácia do FMS, comprovada não só em mim, mas em diversos clientes que obtiveram drásticas melhorias na qualidade dos seus movimentos, nas mudanças nos treinos, nas suas capacidades funcionais, enfim... QUALIDADE DE VIDA!




Mas isso é muito interessante para quem treina "movimento". Para quem ainda treina "músculo isolado" essa é uma realidade desconhecida e muitas vezes IGNORANTEMENTE criticada. E eu digo IGNORANTEMENTE (de IGNORÂNCIA) porque nesses indivíduos falta conhecimento mesmo. E eles são IGNORANTES em relação a esse tipo de treinamento e sobre as fantásticas relações do corpo humano quando se trata de MOVIMENTO. Apenas não sabem o que falam (eu que estudo ainda me considero um ignorante...).



E essas relações entre o rentável mercado Fitness e o rentável mercado do verdadeiro Treinamento Funcional (QUE É TREINO DE FORÇA!) precisam ser muito discutidas, embora infelizmente ainda muito negligenciadas por inúmeros empresários...

Mas isso é assunto para outro momento!



Um dia desses ouvi assim: se usar demais estoura!". Bom, melhor que estoure de usar né!? E não de problemas decorrentes da falta de uso! (como no seu caso...)



Quero agradecer e recomendar a Patrícia Cancilieri, Fisioterapeuta, que enxerga o corpo de forma integrada e que tem me ajudado muito nesse momento! Quero agradecer também minha família que me deu o maior suporte, especialmente minha Avó (Maria Alice Porto Maia) e minha Mãe (Mirna Porto Maia) que passaram dois dias no hospital comigo, minhas irmãs Ilzinha Porto e Octávia Porto pelo carinho e a Karla Gonzaga, pela constante presença e carinho! Aproveito para mandar um abraço para meus verdadeiros amigos da Kimura, Kimura Diretoria e dizer que logo estarei de volta. Um agradecimento especial também para meus clientes, pela atenção e boa energias!!!

Fico por aqui! Grande beijo e abraço a todos e muito obrigado pelo carinho dos últimos dias! Foi muito importante! Com Deus!



(E quando eu voltar a treinar, vou buscar mobilidade antes de estabilidade, estabilidade antes de movimento e movimento antes de força. )




Theo