Agradeço de coração pelas mensagens de apoio que
recebi nos últimos dias! Aproveito para esclarecer o que aconteceu...
Fui
submetido a uma Artroscopia para corrigir um problema no ombro. Na verdade isso
aconteceu há 7 anos, ainda na faixa roxa... Não quis bater e estourou tudo.
Todos os ligamentos. O problema é que eu não sabia que tinha estourado tudo.
Daí continuei treinando mesmo limitado pela dor. Com o passar dos anos a lesão
foi piorando até que perdi tanta capacidade funcional que não conseguia fazer
mais nada, muito menos treinar... Logo eu que comungo do pensamento
IDENTIFICAR-CORRIGIR-FORTALECER não poderia ficar me privando de fazer o que
gosto. Resolvi enfrentar a realidade e acabar com essa lenga-lenga, corrigindo
o problema identificado nos exames. O problema é que a UNIMED demorou quase 1
mês para autorizar minha cirurgia, retardando tudo ainda mais...
Aconselho a todos que tenham algum tipo de lesão que
procurem corrigir esse problema. Essa história de ir fazendo o que não dói...O que
consegue... É a maior furada! Nosso corpo acaba sobrecarregando outras
estruturas para que os movimentos que desejamos sejam realizados. É simples, se
aquela articulação não consegue desempenhar sozinha sua função alguém vai ter
que ajudar e realizar uma função que não é a sua para que o movimento desejado
aconteça. Resultado: mais uma articulação que pode ficar comprometida,
possíveis lesões musculares...
Se você sente dor recorrente em determinada
articulação, investigue. Observe a articulação abaixo ou acima, porque muitas
vezes essa dor ou essa lesão, já estabelecida, pode ser a consequência do
problema e não a causa (no meu caso especificamente, eu estava com absurdas
tendinites no ombro lesionado e no cotovelo, pontos de muita tensão nos trapézios
e tanta dor na cervical e restrição de movimento que pensei que estava com uma
hérnia). Ou seja, o tratamento deve investigar o motivo dessa articulação estar
lesionada e não só tratar a articulação lesionada. Do contrário, corre-se o
risco desse problema tornar-se recorrente, pois a causa pode não ter sido
tratada, apenas a consequência.
Mas não se enganem. Nem todos os profissionais de
saúde pensam dessa forma, principalmente no modelo comercial da Medicina e a
Fisioterapia tradicionais. Se você tem um plano de Saúde e vai ao Ortopedista o
melhor que vai conseguir são dezenas de sessões de Fisioterapia (provavelmente
numa clínica abarrotada de pacientes com diferentes problemas) onde vão te
tratar apenas do seu problema. E olhe lá (eu digo "e olhe lá" porque
já devo ter feito mais de 500 horas de fisioterapia e já fui muito mal atendido
por aí...). Muitos nunca irão investigar a causa do seu problema se não estiver
prescrito pelo Ortopedista. É assim que eles ganham dinheiro. Centenas de
atendimentos por dia, o mais rápido possível, prescritos por diferentes
Ortopedistas, tratando a dor. Eles seguem o modelo obsoleto implantado no
Brasil, onde os problemas são tratados e não prevenidos.
Eu não vou nem falar das prescrições de tratamentos
fisioterápicos que alguns ortopedistas fazem, a fim de não prolongar muito esse
pequeno texto (e também são os Fisioterapeutas que devem se manifestar a
respeito). Basta apenas dizer que na área de Educação Física, em casos de
joelho, o que vejo são prescrições para fortalecimentos de músculos isolados,
em movimentos guiados e com restrições de amplitude. Ou seja, além de não ser
investigada a causa do problema, o tratamento envolve não estimular o
restabelecimento da capacidade funcional do indivíduo. MUITO PELO CONTRÁRIO,
independente da sua idade e seu nível de atividade, envolve a paranóia de ter
um joelho operado que nunca mais vai ser o mesmo. E que você deve tomar
cuidado, esconder, proteger pro resto da vida, subutilizar. Agachamento nunca
mais, esqueça. VOCÊ É LOUCO? SE VOCÊ AGACHAR ASSIM VAI TER QUE OPERAR OUTRA VEZ
ESSE JOELHO!!!" Daqui a pouco vai ser quase: SE VOCÊ AGACHAR VOCÊ VAI
MORRER!!!!!" É Leg parcial, extensora parcial...Agachamento não pode, mas
Leg 45 pode? Você nunca mais vai agachar profundamente? Nem para pegar compras?
Nem para trocar o pneu do carro, nem para brincar com seu cachorro? Com seu
filho? Sim você vai. E é melhor que faça isso corretamente. Aprenda, treine e
realize esse movimento corretamente no seu dia-a-dia sempre que necessário.
O que estou tentando dizer é que se você rompeu os
ligamentos do joelho, provavelmente vão te recomendar uma cirurgia corretiva e
dezenas de horas de Fisioterapia. Correto. Mas se você não analisar sua
mobilidade de quadril e de tornozelo e o que acontece com eles enquanto você
realiza diferentes padrões de movimento, pode ser questão de tempo para que
você lesione novamente esse joelho. Mas isso é bom, não é? Alguém vai lucrar
com isso!
Uma excelente ferramenta para analisar o que acontece
com você enquanto você se movimenta é a Avaliação Funcional do Movimento (FMS).
Fui apresentado ao método pela Arte da Força (Silas Rodrigues
e Thiago Ferragut Passos)
ano passado. Diferente das avaliações físicas tradicionais realizadas em
academias, essa avaliação é qualitativa e não quantitativa. Avalia-se aqui a
qualidade do "movimento". O protocolo envolve submeter o avaliado a 7
(sete) padrões básicos de movimento (Agachamento Completo, Passo sobre a
Barreira, Afundo Linear, Mobilidade de Ombro, Elevação da Perna Estendida,
Flexão de braço com estabilidade e Estabilidade Rotacional) e atribuir notas
(scores) de acordo com a qualidade do movimento realizado. O objetivo é
identificar disfunções, assimetrias ou limitações que interfiram na correta
realização dos movimentos e/ou que possam contribuir para o desenvolvimento de
futuras lesões, possivelmente potencializadas pelo treinamento de força. O
próximo passo é corrigir os problemas encontrados através de exercícios
específicos, equilibrando o indivíduo e tornando-o apto a treinar com mais
qualidade, intensidade e segurança. Ou seja, melhores resultados.
Logo de saída descobri em mim diferentes problemas e
um dos principais foi minha reduzida Mobilidade de Ombro. Score 0 (zero = dor =
lesão = médico = pare de empurrar e puxar na vertical e horizontal = pare com
supino, flexão, press, barra fixa, puxadas, remadas e mais diversas restrições
para exercícios com Kettlebell). Mas casa de ferreiro, espeto de pau... Fiz
tudo ao contrário: Ignorei minha Avaliação e continuei treinando Jiu-Jitsu,
treinando força e remando de SUP. O resultado foi um teste medíocre numa prova
física com Kettlebell (lógico! eu não tinha ombro!) além do agravamento das
dores no ombro que resultaram numa redução drástica da minha capacidade
funcional. Se ano passado eu tivesse investigado e corrigido meu ombro
(conforme sugerido pela minha Avaliação) talvez o estrago fosse menor e eu
tivesse sentido muito menos dor e já estivesse até treinando novamente, apto a
passar no teste físico).
Fica o ensinamento. Hoje tenho a oportunidade única de
testemunhar aqui a eficácia do FMS, comprovada não só em mim, mas em diversos
clientes que obtiveram drásticas melhorias na qualidade dos seus movimentos,
nas mudanças nos treinos, nas suas capacidades funcionais, enfim... QUALIDADE
DE VIDA!
Mas isso é muito interessante para quem treina
"movimento". Para quem ainda treina "músculo isolado" essa
é uma realidade desconhecida e muitas vezes IGNORANTEMENTE criticada. E eu digo
IGNORANTEMENTE (de IGNORÂNCIA) porque nesses indivíduos falta conhecimento
mesmo. E eles são IGNORANTES em relação a esse tipo de treinamento e sobre as
fantásticas relações do corpo humano quando se trata de MOVIMENTO. Apenas não
sabem o que falam (eu que estudo ainda me considero um ignorante...).
E essas relações entre o rentável mercado Fitness e
o rentável mercado do verdadeiro Treinamento Funcional (QUE É TREINO DE FORÇA!)
precisam ser muito discutidas, embora infelizmente ainda muito negligenciadas
por inúmeros empresários...
Mas isso é assunto para outro momento!
Um dia desses ouvi assim: se usar demais
estoura!". Bom, melhor que estoure de usar né!? E não de problemas
decorrentes da falta de uso! (como no seu caso...)
Quero agradecer e recomendar a Patrícia
Cancilieri, Fisioterapeuta, que enxerga o corpo de forma integrada e
que tem me ajudado muito nesse momento! Quero agradecer também minha família
que me deu o maior suporte, especialmente minha Avó (Maria Alice
Porto Maia) e minha Mãe (Mirna Porto Maia)
que passaram dois dias no hospital comigo, minhas irmãs Ilzinha Porto
e Octávia Porto
pelo carinho e a Karla Gonzaga,
pela constante presença e carinho! Aproveito para mandar um abraço para meus
verdadeiros amigos da Kimura, Kimura Diretoria
e dizer que logo estarei de volta. Um agradecimento especial também para meus
clientes, pela atenção e boa energias!!!
Fico por aqui! Grande beijo e abraço
a todos e muito obrigado pelo carinho dos últimos dias! Foi muito importante!
Com Deus!
(E quando eu voltar a treinar, vou buscar mobilidade
antes de estabilidade, estabilidade antes de movimento e movimento antes de
força. )
Theo
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